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O evangelho segundo minha vontade!

Escrito por Editor on terça-feira, janeiro 17, 2012 in
Para justificar o título posso contar duas histórias de amigos meus dos tempos de faculdade. Um, após não vê-lo uns dois anos, disse-me que agora era um homem religioso, "espiritual". Disse-lhe "que bom, mas qual igreja congrega mesmo?". Ao que me respondeu que não frequentava igreja alguma, nem que a doutrina que seguia se assemelhava ao cristianismo conhecido. Fiquei pasmo, mas continuei a inquirí-lo. "Explique-me, então". "Sou de uma comunidade japonesa que recolhe ideais gregos e os mistura com filosofia espiritual, procurando nos ajudar na vida hoje, nos orientando em como fazer as coisas". E disse o nome, que não entendi muito bem: "seixo no e". Ao que lhe perguntei, " e Jesus nisso tudo?". "Jesus é um grande homem, lá também estudamos algumas coisas que ele fez".

Depois de digeri a história continuei: "Pensei e fiquei feliz por um momento, já que achava que tinha se tornado cristão". "Não amigo, o Deus que você crê é demais para mim, os seus estatutos são ferozes, por isso pensei em conceber algo mais pra mim, uma coisa misturada, que me ajudasse a entender a a vida como ela é hoje". "Um Deus segundo sua vontade", eu disse. Ele não respondeu, e como quem quer me convencer a segui-lo em sua jornada de "autodescobrimento", passou a me dizer as liturgias e outros costumes de sua "comunidade.

Outra vez, foi quando descobri que um amigo meu, que eu acreditava ser ateu, exercitava uma espécie de religião mundialmente conhecida. Pertencia a uma comunidade que ingeria uma substância para que com os efeitos alucinógenos, pudesse ter acesso ao divino. Ele cria em muitas coisas, uma delas é que era bom tomar a tal gororoba e ficar deitado na grama a olhar as estrelas.

Para os dois fiz o mesmo convite, que com a repulsa academica de recusaram:

- Venha à minha igreja amigo, nos visite.
- Não posso, nesse meio, não sou um devoto, mas me assemelho mais a um antropólogo que fica analisando atos e práticas.

Hoje refletindo, percebo que é muito cômodo ao homem conceber um Deus segundo sua vontade, que execute suas paixões, não se importando que o que ele faça. É muito fácil criar um evangelho segundo meus precitos e dizer que agora sou espiritual. Um Deus que esteja absolutamente sob meu controle, que seja uma mistura de minhas crenças subversivas e que reflita nada mais que minha personalidade sem decisão.

Li uma vez a definição do antropólogo Bronislaw Malinowski definindo magia e religião. Magia seria quando eu defino e modelo a divindade, e religião ao contrária, quando a divindade, com seus preceitos e indentidade me modela. Nessa definição, quem se considera cristão, tem, necessariamente que acreditar que Ele, Cristo Jesus é o Caminho, não havendo filosofia ou ideal espiritual que o embargue ou o defina melhor.

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